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Bate-papo com Roberto Martini

Empreendedor no ramo da criatividade e inovação, Roberto Martini é responsável por empresas como a FLAGCX, a agência CUBOCC e a inciativa Mesa e Cadeira e acredita que a inovação é a saída para os negócios que querem acompanhar a evolução da sociedade. Confira um bate-papo com ele, que foi o vencedor do Prêmio GQ Men of The Year 2017 na categoria Empreendedorismo

Qual a importância de buscar conhecimentos fora da área de atuação para inovar?

O mundo se transforma cada vez mais rápido, e isso não vai mudar. Até a indústria, que sempre foi muito organizada, também começa a diluir os seus processos. Se estudamos só o que está na nossa bolha, vamos perder a referência, pois hoje as disciplinas se alteram muito rápido. Por isso, ficar parado coloca qualquer organização em risco.

Como trazer criatividade e, ao mesmo tempo, manter os processos sob controle?

Quanto mais rígidos os processos, mais há espaço para criar. Existem pessoas com perfil excelente para executar, outras para criar. O que temos que fazer é balancear. Para pequenos negócios, o planejamento é essencial porque dá espaço para inovar. O segredo é descobrir o grau de abertura para o risco e organizar o plano. Por exemplo, direcionar 70% do tempo para o que é rotina e 30% para criar coisas novas. A dica é criar uma regra para ter ideias novas.

Como a tecnologia está ressignificando o consumo?

A tecnologia altera a velocidade das coisas, que nascem e morrem muito rápido, e isso muda os ciclos. As sobreposições fazem com que as coisas durem menos, e quando se pensa muito para frente, isso pode não fazer mais sentido no futuro. As tendências deverão ser previstas com menos antecedência, pois o que acontece hoje é muito mais relevante do que daqui a três meses. Hoje é difícil encurtar esse ciclo, mas é preciso ter essa ideia em mente para, no futuro, se adaptar.

Existe alguma divisão do on e offline hoje?

Não existe nenhuma diferença, e o melhor investimento é o que traz mais retorno. A lógica aí é parecida a das ciências exatas, pois fica mais fácil de aferir resultados no digital. Em momentos de crise, por exemplo, o digital é vantajoso porque permite ter mais retorno com a estratégia certa.

Como é possível ter uma comunicação mais eficiente?

A comunicação nasceu com a essência de comunicar. Com o tempo, fomos sofisticando e direcionando outros fins, como construção de marketing, relacionamento. Porém, o alto volume de mensagens exige que as coisas sejam simples, já que as pessoas não têm tempo para interpretar. É preciso ser claro e dizer rápido o que se quer com aquela comunicação: o que a marca acredita, o que deseja. Deixar tudo mais simples, combinando verdade e simplicidade, traz muito mais resultados.

Qual o principal desafio para manter uma empresa em um mundo que muda cada vez mais rápido?

Fomos educados para ter respostas para tudo, onde tudo tem que dar sempre certo. Por isso, o maior desafio é a capacidade de se adaptar rápido, e isso exige mudança de mindset que requer energia, e o nosso corpo resiste a isso. É um desafio geral da sociedade, mas para o empresário ainda mais. A maior conquista é conseguir esquecer o que sabe todos os dias, pois só assim buscamos evoluir constantemente.

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