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Conexão Varejo: confira entrevista exclusiva com Dominique Oliver, proprietário da Amaro

Após estudar diferentes mercados, o suíço Dominique Oliver foi atraído pelo potencial do mercado brasileiro para empreender. Aqui, ele abriu a AMARO no modelo Directto-Consumer, inovando no setor ao lançar mão da tecnologia para transformar o varejo. Embasada nos dados adquiridos nas vendas pelo e-commerce, a AMARO também aposta no varejo físico, com suas guide shops, lojas que funcionam como showrooms onde a cliente pode provar as peças e retirar o que foi comprado pela internet. Confira abaixo uma entrevista exclusiva do empresário para a revista do Sindilojas Porto Alegre, Conexão Varejo:

> Como surgiu a ideia da AMARO e por que o Brasil?
Trabalhei por quatro anos no mercado financeiro em Nova Iorque, onde participei de várias transações e reestruturações de empresas de varejo e de moda. Foi então que percebi as falhas do modelo tradicional de varejo físico e que o mercado de moda precisava de inovação. Estudei diferentes mercados, e vi que o Brasil tinha um grande potencial. Cheguei aqui em 2011 e fui estudar, ao mesmo tempo que comecei a implementar o plano de negócios da AMARO.

> Qual o propósito para além da venda?
A AMARO nasceu com o desejo de oferecer a melhor experiência de compra para a mulher brasileira. Experiência excelente, para nós, significa ser sem barreiras, ter navegação fácil e muita conveniência. Para isso, apostamos na tecnologia e na inteligência de dados em toda a cadeia produtiva, da criação dos produtos até a logística.

> Quais os principais desafios de vender moda pela internet?
Atualmente apenas 5% de todas as transações de varejo acontecem online no Brasil. Nos EUA, são 11%, e na Inglaterra, mais de 14%. O maior desafio ainda é a mudança de comportamento para adoção desse modelo pelo consumidor. Por mais que esse movimento seja inevitável, o varejo precisa facilitar essa migração para o ambiente online. É aí que entram estratégias como as guide shops, a entrega superexpressa e foco na experiência do consumidor no site, por exemplo.

> Como a AMARO lida com a crescente preocupação com o meio ambiente?
Por ser uma marca nativamente digital, os nossos processos são mais modernos, mais enxutos e com menos desperdícios. A modelagem 3D, por exemplo, permite criar apenas uma peça-piloto, em vez de quatro, como no modelo tradicional. Em escala produtiva, o impacto é grande. Além disso, temos bike delivery, embalagem econômica, peças sustentáveis, e os eco-products, produzidos 100% com materiais reciclados.

> Como funcionam as guide shops e como o consumidor reage ao fato de não poder sair com as compras na hora?
Sabemos que nosso maior concorrente, como marca digital, ainda é a compra tradicional na loja de rua, perto da casa da cliente. Por isso, prezamos por encantar com boas imagens, velocidade do aplicativo, navegação intuitiva, facilidade no pagamento, SAC humanizado, entrega superexpressa e pós-venda eficiente, que incentiva a cliente a comprar novamente. Atualmente, temos 15 guide shops, e o mais recente é em Porto Alegre!

> Como os negócios tradicionais do setor ainda podem inovar?
O varejo é um setor em constante evolução, e as marcas precisam acompanhar, mantendo o consumidor no centro. Uma discussão recente é sobre o modelo Direct-to-Consumer, impulsionado pela internet, que remove intermediários e vende diretamente ao cliente final. As pessoas falam sobre personalização e tecnologia, mas uma melhor experiência ao consumidor vem por meio da integração e de conveniência, que estão moldando o que chamamos de futuro do varejo.


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