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Conexão Varejo: entenda os benefícios de ouvir a sua equipe

“Alta rotatividade é um problema comum no varejo, e não há muito a fazer quanto a isso.” Se você acredita nessa afirmação, essa matéria foi feita para você. Isso porque, apesar de as gerações mais jovens não se apegarem à estabilidade no mesmo emprego como as anteriores, a realidade poderia ser bem diferente se houvesse medidas de retenção dos talentos internos.

Uma prática essencial para reduzir a rotatividade é o hábito de escutar os funcionários. Além disso, empresas que levam em consideração a opinião dos seus trabalhadores nas tomadas de decisão melhoram a sua proposta de valor (Employee Value Proposition), que é a forma como a organização é percebida pelos trabalhadores no mercado. Em outras palavras, é o quanto de força a empresa possui para fazer seus funcionários recusarem outras ofertas de emprego e darem o seu melhor todos os dias.

3x menos rotatividade

Um bom recorte para destacar práticas eficazes de gestão é olhar para as iniciativas das 150 Melhores Empresas Para Trabalhar no Brasil, ranqueadas pelo GPTW (Great Place to Work). Em relação ao índice de rotatividade voluntária nas companhias, enquanto a média brasileira foi de 24%, em 2016, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), esse indicador foi de apenas 7% entre as 150 Melhores. Ou seja, três vezes menos do que o restante do mercado.

Ter uma gestão participativa é essencial para reduzir o giro de pessoas na equipe, como aposta a Fechosul Macosul. Lá, as lideranças têm um papel fundamental e as reuniões com a diretoria são constantes para garantir que todas as demandas serão escutadas. “Além das ocasiões formais, buscamos deixar os funcionários à vontade para que nos levem sempre as suas considerações sobre tudo”, conta Luciane Morais, diretora de RH. Da criação de novas promoções a mudanças nos processos, a diretriz é escutar as contribuições da equipe. Não por acaso, o tempo médio na Fechosul Macosul é 3 anos de casa, mas há pessoas com mais de 10 anos.

Como afirmam os especialistas e as pesquisas nessa área, valorização e respeito aos colaboradores são mais importantes do que remuneração na satisfação e na retenção das pessoas. A sensação de pertencimento por trabalhar por um propósito relacionado aos seus valores pessoais também é essencial. E isso se promove inclusive por meio da escuta.

Invista no relacionamento

As relações de trabalho mudaram muito com os anos, e hoje praticamente não há separação entre pessoal e profissional do ponto de vista da realização. Ou seja: é determinante estar realizado no trabalho para ter satisfação na vida privada. Por isso, as pessoas querem cada vez mais participar da construção das empresas onde atuam. “Para manter uma rotatividade baixa tudo começa na contratação de pessoas com os mesmos valores da organização”, comenta Luciane. Para a gestora, uma relação de trabalho é como um casamento, precisa de flexibilidade, mas o mais importante é que ambos os lados estejam mirando o mesmo horizonte para funcionar. “O ato de escutar precisa ser genuíno. Não se trata de ouvir para responder, mas para entender”, finaliza.

 

Essa matéria faz parte da revista do Sindilojas Porto Alegre, a Conexão Varejo. Quer acessar a publicação digital e ler outros conteúdos? Clique aqui.